POESIA 2000

O Grupo 'Os Putos'


A Universidade Federal de Uberlândia (MG) proporcionou, no final da década de 1990 e início dos anos 2000, o encontro entre alguns estudantes na Faculdade de Letras. Os mineiros, tão diferentes entre si, uniram-se pelo espírito da descoberta, pelas reflexões sobre a vida e, principalmente, pelo amor à arte, em especial, a Poesia. 
O Grupo plantou árvores e gerou frutos que vivem no coração de cada um até hoje. A vida seguiu por vários caminhos, mas, na memória daquela época, estão guardadas as saudosas experiências destes Poetas: Os Putos. 

* Livro "Os Putos" - Antologia em produção - Poemas dos anos 1999 a 2003.
Autores: Célio Pena Oliveira, Clécia Oliveira, Fabiano Bueno Oliveira, Maryllu Caixeta Oliveira, Lúcia Morena.

Previsão de lançamento: dezembro de 2018.


Conheça o blog "Os Putos Mineiros": 
http://www.osputosmineiros.blogspot.com.br/p/os-putos.html




Alguns poemas da época d' Os Putos



BELEZA

Mesmo que toda beleza fosse falsa
ainda existiria beleza
na própria falsidade
que revela toda uma estrutura
la pi dada
tra ba lha da
com efeito pouco disponível
nas belezas já encontradas.
É falsa
porém irresistível
se ideologicamente comparada
é a que mais seduz o marido
des arti cu la
e leva consigo
o resto de ego que restou
ao desconstituir sua face
transformar-se
seu corpo - catarse.


MAÇÃS

As maçãs são verdes
porque não são maduras
elas vão amadurecer
de duras passarão a macias
quando crescer
serão coradas e doces
hidratadas e fortes
até envelhecer
conhecerão a rispidez
a podridão
perderão a robustez
o pecado
a paixão.
Eh maçã...
Ficarás seca
na grande árvore
mas deixarás frutos
verdes como já foi.
E quando cair
tocarás a solidão
em sua caixa de dormir
que escurece o amanhecer
e leva o calor do verão.
Estarás mais próxima de suas raízes
a cada dia sem perceber
ficando-ali
amarga e frágil
até morrer.


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Como nuvens que se abraçam
em torno do sol
se envolvem buscando ternura
encontrei o aconchego mais doce
e mais confortável.
As estrelas sobre
ao redor do desejo
piscavam como meu corpo
ao ser tocado por você
no frio retorcido como a grama
que sustentava o prazer
senti a alma surpresa
por ter acontecido.
Esfriou-se assustada
mas dormiu feliz.


DO GROTESCO
 
Grotescamente,
Cadavez é indubitável que se possa oportunizar
Uma mortalha que em mim não caia.
Gostaria de ir mais fundo
E ser a principal czarina
Oscilar meus hormônios
Num ósculo silencioso
Que mesmo por porfia
Não o trouxe
Meu ávido amante
De semblante doce
Avistável até em meio a um cipoal.
Como uma pessoa de escárnio
Provocaste descoser meu coração
Enquanto as sevícias que constatei
Tornaram-se turbas.
Por isso dedilhei
Com sorriso pontiagudo
A percepção Inca da vida
Que não é nenhum absurdo
E não pode ser espinafrada
Rebuscada ou repreendida.
Do Grotesco
Não se vê o mundo
Não se tem respeito
Vai descendo cadavez mais fundo
Funesto.
E como se quer que seja
Nem sempre será
Mesmo que assim esteja
Disponível para partilhar.


TEMPO ÁCIDO
 
A acidez que se tornou o vento
Fê-lo desconfigurar a face
abrigou os bons sentimentos
junto ao exército da saudade.
Tornou-se o próprio tempo
sem forma
um vento sem vontade.
As árvores
por ele se encolheram
faltou-lhe oxigênio
e quando quis respirar a vida
já era tarde
perdeu a realidade
numa viagem transcendente...
A aspereza e a estupidez
passaram a mártir para sempre
e levaram-no ao seu destino
numa tempestade sem volta
junto a uma acidez revolta. 
    

NAQUELA FLORESTA

Encontrou o cavalo encantado
correu dos ladrões
tropeçou no Mestre dos Magos
escapou dos leões
percebeu a floresta calada
onde dormem os sete anões.
Naquele lugar no meio do nada
sem príncipes ou espiões
só há uma corda trançada
onde a guerra começou
onde já se foi o Ricoxete
sobrou o Rabugento
e o tira robô sem capacete.
A Maravilha de Mulher
tomou suco de frutas Gummy
salvou a floresta
com sua Bat. aranha
capturou o Duque Duro
depois foram pra cama
colorir no escuro
sem lápis de cor.


SOCIAL LARANJA


A Social Laranja
Sorrisos esbanja
Juízo não tem
Respeito não convém
Consenso sempre arranja
Com a turma da mesma canja.


ABSINTO


Absinto, bebida generosa
bebo e degusto este sentimento.
Neste momento
vem aquela sensação gostosa
instintivamente reprimida
pelas mentes pavorosas
das sociedades iludidas.
Na natureza verde de seu líquido
transparente de sentido
orgasmeia o êxtase proibido
por isso não nego o quanto absinto
infinitos prazeres escondidos
onde saltam os olhos dos mais cegos
em busca de seu próprio paraíso.

Eh, Perfume de gosto bom...


L O U C O S

São tantas as coisas
que nos enlouquecem
que talvez possamos nos ver
como loucos inatos.
As tais ‘coisas’só vêm
denunciar o que somos
algo que tememos muito...
Classificamos os loucos
como se eles existissem
loucura!
Somos uns doidos
ao pensar que deveríamos ser iguais
os loucos não são loucos
nós é que somos animais.


(Clécia Oliveira)