segunda-feira, 14 de setembro de 2020

 

__________

Do corpo...

Resta compor outro

Letra e melodia que se comunicam.

Desde o início, sem meio, sem fim

Vive poema sem título

Busca o que gostaria que fosse

Para suportar viver dentro de si

Mente para si mesmo no mundo fingido

Sem saber como agir ao encontro do medo

Não encontra o corpo que o sustenta

Nem seu lado que pensa

Textura e estrutura não coincidem

Lado biônico da mente em curto.

Referências externas evidenciam dores da carne

Que... de metástase em metástase

Fortalece o inatingível da alma

Que já não sabe em qual destino existir.

O que era bom se foi além das ondas eletromagnéticas

Propagandas falsas propagadas

Buraco negro ainda não aceito

E o de minhoca... só travas.

Sem despedida ou carta harmônica

A crise está de volta

Domínio do pessimismo realista

Prevalece razão sem rimas

Contamina pensamentos

Desfaz posicionamentos

Tira a cor da aura.

Versos em ruínas antes do topo

Tempo vestido imune à adrenalina

Decassílabos se desmoronam em purpurinas

Num enjabement de ideias.

Incessante mutação contradiz história e razão

Não percebe amigos e estimas

Concorda com parentes errôneos

Inconsciente coletivo que corrói a carne

Leva amores à lata de lixo

Paixão em letras soltas e esparsas

Destituição do alívio que emitiam.

E o que resta é compor um novo ser

Estrofes encadeadas desta vez

Sons que bailam em toques e ouvidos

Antes do fim-fingido.

O ritmo agora é recomeço

Corpo, Alma... Paraíso

De outro tempo.



.

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Indesejado

Ceder ao canto dos ventos contrários

Não é o que se espera

No dia lindo de sol.

Manhã para acordar, tarde e noite para amar

Sem ênfase na (pouca) oposição.

O dia segue a semana

E a semana segue às angústias duradouras

Quando a escolha é não aproveitar boa conexão

Enterrar intenções desejáveis e adoráveis paisagens

Tamanha falta de consideração.

Se falta fogo, respeito ou paixão

O lindo dia se queima com a neve

Frente fria dos que não sentem

Amor além das peles.

Imagem de Brian Clark do Pixabay


domingo, 28 de junho de 2020

De todo o muito que sobrei
Em cores me juntei aos prósperos
Reestruturei sombras que não refrescavam
Revitalizei com caneta o passado
Pincelando novos cadernos
- Capa macia e colorida.



Transformação constante
Permite permanências
Oscula o que fica
Escorre sem prantos a vida
Sangue bom que alimenta
Lágrimas douradas de felicitações
Reluzem velhas moradas
Dão fim ao que tanto cansa
Abrem novas estradas.

domingo, 10 de maio de 2020

(sem título) - em dias de quarentena




Abraço o sol, o céu... a natureza e seu cheiro que ainda posso ver. Recebo os cantos e energias que me insinuam bom dia e dizem que, para ser, depende também de mim. Olhar para dentro, olhar para fora e ver que temos um mundo em nós agora.



domingo, 22 de março de 2020

Aos apelos pelos pensamentos positivos


... Não é nota de meu diário.
(imagem meramente...)



‘Aos apelos pelos pensamentos positivos’


Como se estivesse tudo normal... /
Lembrar, pensar, fazer coisas boas /
Na medida do possível, ajuda. /
Pra não passar o tempo à toa /
E não se tornar um desfalecido vivo. /
Como se isto fosse decisão ou vontade das pessoas /
Que (em solidão) têm realmente vida boa? /
Então digo: Não estou só. /
Ouço ainda expressões de passarinhos, posso escrever, comer uvas e tomar vinho. /
(Por enquanto) /
Estou com plantinhas, músicas e poesia. /
Ainda tenho o cinema caseiro e quase controle sobre minhas manias que me espremem./
Posso gastar tempo com gastronomia na minha própria cozinha /
Ativar hibiscos, currys, pimentas, cores e poemas nutritivos. /
Tenho água e sabão! /
E, nesta, posso me servir de uma alimentação saudável de gente privilegiada. /
Como se fosse tudo /
E, em breve, poderá ser nada. /
Mas não estou só. /
Tenho tecnologias ao meu redor e até na palma da mão /
Falo com pessoas e tentamos fazer previsões boas. /
Momento intrigante... pra quem gostava tanto de solidão... /
Nada dura com proibição. /
Mesmo assim, não estou só. /
Estou também com meus pensamentos... /
E com os dos outros /
Acelerados, lentos, ansiosos e desastrosos (às vezes) /
Enquanto eu não queria tretá-los por muito tempo. /
Só que nem sei saber decidir e controlar tudo que vem e sai em/de mim. /
Logo eu que dizia tanto /
Nos últimos momentos antes do desencanto /
Que precisava tirar um dia pra pensar. /
Resgatar argumentos, projetar, pensar na vida, escrever pra remanejar. /
Hoje, penso e (des) penso. /
Tem sido preciso dispensar. /
Só de sentir o que virá sem os trabalhos de quase sempre /
O positivo se vai ao refletir sobre o fim, o meio e o princípio. /
Mas não estou só. /
E ainda estou bem /
Sem nós no ar... /
Bem melhor do que tantos /
Pensadores, pensativos, ou não.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Depois de um algodão-doce lucideznógeno

Depois de um algodão-doce lucideznógeno...
O sono do ópio é sonho; o sonho do ócio é fato fácil, mas não vale o que é frágil. Então, vou sonhar com os irônicos palhaços reais e terei o poder de deixá-los para trás, sem limitar o quanto vai chover sobre suas nobres maquiagens. (diz a mulher sentada na calçada da infâmia e cansada dos circos nonsenses de infância que insistem até hoje).
'Amanhã passo lá para acreditar com ela' e comer algodão-doce cor-de-rosa. (operesca infância insólita e atingível só nessas horas de mico). Nem sei de que cor de alma me visto. E com algodão não me curo. Limpo feridas agarradas aos novelos da vida.
Mas... vou trabalhar em alguma coisa amanhã.
E, nas nuvens crepusculosas, depositarei minhas esperanças possíveis de que estou errada, mesmo se nada serei.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

O que resta do indivíduo

I

O que resta do indivíduo
quando olha para trás e vê erros cumpridos
muitos não são erros provocativos
são falas de contextos mal resolvidos
ou, brevemente,
desespero do coração que não se cala
quando lhe ferem a alma.
Mera tentativa de resolver a vida
em um dia (quem saberia)
com boas intenções
para abrandar más sensações irremediáveis.
Nem sempre funciona.
O equilíbrio intencional
cede lugar à pausa das mágoas
adoça palavras e espera...
Gritos chegam do nada
e a quietude novamente se esfarrapa
o embate se instala
sem olhares para o lugar de fala.
A oscilação é frequente...
Ventos fortes se abrisam
acalma, pede trégua
pede abrigo
e nada útil acontece.
Desistência sem ritmo pode ser rumo
talvez não o único.
Até o ano acaba
o Natal envelhece
e o pedido continua o mesmo
ser vivo e coeso
em quatro mãos que se cortejam
se dão e se respeitam
seguram o mesmo barco
e saem à brasileira
avante caminhos ainda não exatos
Despedem-se dos desejos ingratos. 


Superinteressante. Abril.com

II

O que resta do indivíduo
que ama e quer ser bom amigo.
O ano velho já se derrama
legados deste não se deseja
a meta é abrigar-se na natureza
e rever o funcionamento de todas as coisas.
Meditação é possibilidade
das belas cidades
matar as saudades
e conhecer outros mundos
os de perto, os de longe
os de dentro de si
abrir a fechadura da criatividade
trancar a preguiça de estar vivo
fazer o que for preciso
para a saúde dançar com a arte
entre poemas mentais e físicos
acolher melhor os bons amigos
que estendem as mãos sem recolher dedos
beijar quem tem o melhor abraço
abraçar crianças inteligentes e educadas
contar para elas que a vida nos leva
e que às vezes podemos mudar tudo ou nada
mas sempre deixamos nossos passos na caminhada.
Abrir caminhos para os bons ventos
e que levem folhas mortas e frutas que caem
que galhos se refaçam
e flores nasçam mais amáveis nos corações das pessoas.
Exercitar o constante amadurecer
ser melhor do que antes
fazer bons planos e colocá-los adiante
reclamar pouco
manter o bom gosto
agradecer aos semelhantes e ignorar os escrotos
fazer da gratidão urgente
pelo que ainda se tem.
Valorizar os verdadeiros e bons amantes
paciência, empatia, compaixão, alegria...
Fundir o que se precisa na vida
do indivíduo o que resta é ser digno
pra receber os melhores carinhos.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

pq

Foto: Superinteressante (Editora Abril)



Por qual motivo águias sorriem gritos?
Por qual motivo gatos não ciscam?
E cobras desenham a Copacabana que imaginamos
que pisamos...
Ainda não é compreendida a origem de todas as coisas
O existir e o repetir são alicerces da razão
Enquanto ...
A morte é fato incontestável
O fim de todas as coisas
Uma de cada vez ou não.

Quando começa
não precisamos, não temos pressa
Quando termina
descobrimos que amamos.
O fim
entendemos muito bem
Os fins
por vezes procuramos
O diferente
O que atrai...
Um desdém pra quem nos faz.
A rotina retrai boas maneiras e atiça sonhos inatingíveis.
De que adianta sonhar então?
Serve pra errar?
Tortura pós imaginação?
Na crença de que vamos alcançar
Felicidade suprema.
Mito e ilusão!
Alegrias vêm e vão
Os caminhos servem para serem esculpidos
por nós
Com alguma satisfação de vez em quando
E muitos dias que nem sabemos porque amanhecem
Nos tornam fregueses do tempo.

O acaso também é pensado
Talvez não por nós...
Destinos são criados
consumados
por meio de tudo que atravessa nosso caminho
Escolhemos sem saber
Destruímos o que poderíamos ser
Às vezes sabendo
Às vezes não.
Construímos castelos fantásticos
Imaginários na vida que nos martela
E como gostaríamos que fosse bela!
E não batatinha quando nasce.
Trivial demais pra quem não consegue esperar...
Trivial demais pra quem não sabe olhar...
Sem raiz não se desenterra uma poética com sabedoria
e classe
Já dizia o crítico
à minha poesia
Pra ele
porcaria
Que diz o que sinto
Resumida em código previsível
Segundo ou nunca plano para a arte.

Os uivos, os gemidos, os mios
Ah...
Os gritos!
Estão por dentro
E no que dizemos
Sem querer atrapalhar o sono
Dos que conseguem descansar em paz.
O silêncio é meta e metamorfose
Traduzido em língua que não existe
sem lábios
O que resta quando corações se calam.
E não seremos seres serenos ...
Que seja por vaidade
Reféns de algo que não controlamos
Até aqueles que se amarram
de verdade
Quando amar é a ressalva
que concedemos apreciar.

Sempre que os planos mudam
Principalmente sem nos avisar
Vêm novos mundos
Outros ocupam o futuro
Peripécias a borbulhar em noites desconhecidas
Recados dos que ainda estão aqui
Quase com crise existencial digna
Quando não entendem como vieram
e onde vão parar com pedágios agradáveis.
Paradigmas!
Sejamos sinceros
e donos de nossas pseudo-verdades
É por aí mesmo o caminho?
Ou em outro quarto utópico que desenhamos?
Na mente que por vezes mente
Quando não sabemos existir externamente.

Alguns dizem que o crime compensa as aflições
A vontade de estar em outro (s) mundo (s)
O outro lado da lua e do sol
... Pink Floyd e Girassóis
Ilusões ou ausência de críticas?
Podemos verificar
Júpiter em forma de maçãs comestíveis
Cachecol do Sul na gaveta sem chave
Céu blue sem madruguecer
No brechó retrô-coloquial
Mesmo às vistas
com contradições que nomeiam
O que não queremos ser
No futuro presente
Desnorteiam prismas
Tornam cérebros inquietos
Entardecer já é hora de sexo
E continuaremos impunes
enquanto soubermos sobreviver.

As águias, os gatos, as cobras
são seres com classe
Cadeias úteis que merecem aparte.
Gêneros não fazem diferença
Mas...
Para assegurar a existência
Nós, os “homens”
Somos sem classe
Seres “humanas”
Que estão de passagem
Com muita insatisfação para consumir
Até que enfim aquele
o nosso mundo se acabe
em purpurinas que se refazem
Na cor que escolhermos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Passado

Parece passado. É passado que passou. Mas é um passado de outro dia. No parque. Boa companhia. Cerca de três meses depois. Presente. Parece próximo ainda. Mas é passado. O que ficou. Se foi e voltou na imaginação de quem sentiu com o coração. Sem cor. O espírito estava em um momento de recepção. Estou. Lembra um momento da vida. O momento da vida. O que ficou na memória. Lembra o que passou e faz parte da história. Mas é passado. Ficou nas lembranças de quem gostou. Da grama, do mar, do vento no litoral. Do vinho branco gelado que demorou. Ficou de lado. Que pena que o passado terminou. Que bom sabermos que o presente já parece outro passado. 'Ficará' de lado. Futuro a cada segundo passado.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Uma boa noite de frio aquecido




O que a razão pede é um amor tranquilo, um bom vinho que dê arrepios, mas que não tropece as ideias. Um cobertor que modifica o frio e o torna berço de sonhos para ficar consigo mesmo sem vontade de se levantar por bons motivos, pois o mundo uterino – o ninho de proteção e aconchegos umbilicais – passa a ser leito nos lençóis mais meigos ao invés da sala de estar vazia e com receios. Sem esmos... Olhar para o próprio umbigo e se perceber como único regalo num mundo cheio de frios e de pessoas em vão.
Mas, uma hora dessas, é preciso voltar ao trabalho e se caracterizar como gente, assim como a sociedade nos remete... E é luxo programar o horário, às vezes, flexível quando há arte e pouco salário... Enquanto isso, neste caso agregado ao que toca, o ofício será muito melhor pensado, refletido e executado após o edredom amigável e o mimo de estar consigo diante do próprio amor.

sábado, 20 de julho de 2019

Desconstruções


Desconstruções não momentâneas
São grandes problemas da sociedade contemporânea.
A política leiteira
Alimenta artimanhas
De seres inúteis que desnutrem
E a queda derradeira
Será do público
Que não almeja
Beber do leite magistrado

Desde o passado
O direito é qualhado
E o queijo podre
É o resultado

Hum...
E como cheira mal.

Prazeres degustáveis


O amor de uns é doce
como chupar cana

Para outros
é como lamber o azedo do limão
mas muitos
ou não
se entendem na cama
caso contrário
não degustam tesão

o mundo se torna azedo
e o álcool
da cana
o padrão.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Involuntário cotidiano


Espasmos involuntários refletem pensamentos conturbados diante de tantos entroncamentos da vida cotidiana, por vezes áspera, apesar das artimanhas. Os círculos nunca se fecham, mas abrem caminhos para as novas relevâncias descritas ou sentidas no risco infinito do tempo, nas ações que dizem as memórias e nos sentimentos que impulsionam triviais ou marcantes histórias. Os incrédulos que somos batem corações assim mesmo e cá ou lá (est-ão-mos) à flor de peles que nos soltam, sons que nos assopram e palavras que nos movem afetos. Os brilhos de ontem sapecam refletidos no que construímos enquanto iluminam ideias que circulam entre os bons que nos cercam. O dia bonito é incerto, o outro é indigesto, mas, em todos os dias, semanais, mensais, anuais e usuais, há movimentos por mais estático que esteja nosso comprometimento com as ações das pautas sem vontade ou das que desejamos autenticidade. O que há de mais latente salta à mente quando enxergamos motivos para sermos mocinhos ou bandidos. Os dois lados podem ser magníficos quando se define roubar o coração arrependido que decidiu amar. É quando estamos movidos sem ser removidos de nossas próprias virtudes. Somos breves, irremediáveis, involuntários... Somos leves, cotidianos, anônimos no tempo, mas deixamos pólens entre os que nos dividem os ventos, especialmente os bons retóricos afetivos que sopram desenhos que gostamos ser.

                                               Foto: Clécia Oliveira

Involuntário cotidiano
2

Espasmos involuntários
refletem pensamentos conturbados
diante de tantos entroncamentos da vida cotidiana
por vezes áspera, apesar das artimanhas.
Os círculos nunca se fecham
abrem caminhos para as novas relevâncias
descritas ou sentidas
no risco infinito do tempo
nas ações que dizem as memórias
nos sentimentos que impulsionam
triviais ou marcantes histórias.
Os incrédulos que somos batem
corações assim mesmo
cá ou lá
(est-ão-mos)
à flor de peles que nos soltam
sons que nos assopram
palavras que nos movem afetos.
Brilhos de ontem sapecam
refletidos no que construímos
iluminam ideias que circulam
entre os bons que nos cercam.
O dia bonito é incerto
o outro é indigesto
mas em todos os dias
semanais, mensais, anuais,
usuais
há movimentos
por mais estático que esteja
nosso comprometimento com as ações
das pautas sem vontade
ou das que desejamos autenticidade.
O que há de mais latente salta à mente
enxergamos motivos para sermos
mocinhos ou bandidos.
Os dois lados podem ser magníficos
quando se define roubar o coração
arrependido
que decidiu amar.
É quando estamos movidos
sem ser removidos de nossas próprias virtudes.
Somos breves, irremediáveis, involuntários...
Somos leves, cotidianos, anônimos no tempo
mas deixamos pólens entre os que nos dividem os ventos
especialmente os bons retóricos afetivos
que sopram desenhos que gostamos ser.