segunda-feira, 25 de junho de 2018

Selfies, espelhos e nós mesmos

Precisamos de selfies e espelhos
Para nos acostumarmos com nós mesmos?
Não é a respeito do que seremos
É sobre o que somos e podemos.
O que indicar às novas gerações?
Seres que pensam, que tiram conclusões
Podemos até ser nós mesmos
E não querer que estejamos à vontade dos céus
Esperar que a chuva caia como prêmio
Lavando o que pode ofender
Graças aos apelos que não nos resolvem
Às rezas que não solucionam ideias
Que nem sempre melhoram os homens.
A humanidade etérea
É eterna
Com seus nós e frestas
Deixam tantas brechas
Pra que possamos mudar
Ações são regras para quem quer enxergar
Somos mulheres, atletas, intelectuais
Sem gêneros, sem pátria certa
Partido ou time que faz brigar
Sem religião ou sem tradição que sufoca
Precisamos nos ver de dentro
Somos homens de um novo tempo
Um outro milênio
Crianças que inventam outras formas de brincar
Adultos e adultas, sem custos ou repletos de contas pra pagar
A imagem do desejo de sonhos que guardam caminhos certos
Que mudam conforme o caminho
O certo inclui o processo e onde se quer chegar
Ruas retas, curvas, ruas de rios ou de mar
Ao clima dos passos, ao bolso agregado
Pés inchados quando o calçado não se adequa.
Hoje, no que pretendemos
Precisamos realmente nos espelhar?
Somos luta, preces em busca
Do que torna válida a real existência
Não há tempo para crises existenciais e nem testes infinitos
O caminho é para os filhos
Que tivemos ou não
Problema para as nações
Herança de gerações.
Pedras gritam nos trilhos impedindo sugestões
São golpes, crenças de que pouco podemos
Dependemos do que não querem
Mas é o que queremos
Ser fortes, poéticos, cientistas da sorte
Estéticos nos pensamentos
Heróis serenos
Indo além do que dói.
Ações se desfazem em selfies de quem controla seu tempo...
O Reflexo mais próximo está longe do que ainda veremos
E vamos um dia nos acostumar com nós mesmos
O espelho é a tela, o discurso está nela
E (nos) mandamos para voar.

Crítica Arde

Quando as pessoas não têm criatividade
A crítica arde
E quando têm
Arde também.

Ausência

Está cedo para falar das dores
Que não são de amores que não pude completar.
A vida traz e leva
Agentes de nosso sol
Sem avisos e prévias
Difícil de tolerar
O fim dos suspiros
Hora de seguir os melhores princípios
Indícios de outra forma de pensar
Sem sedativos
Euforia para alguns sonhos
Esperança de bem-estar.
Lembranças se descobrem com o vento
Escritos no pensamento
Fala sinuosa para interpretar
Outras maneiras de expressão
De passar o tempo
Dos textos que chegam
Mesmo que ainda seja cedo
Para falar das dores
Que estão em pontos cegos
Esperando novos métodos
E vontade de publicar.
Tarefas excessivas às que excedem
Num tempo que falta calibre da alma
E um olhar que dê a volta
Até que a tela se acenda
As palavras decidam conversar
Quem desvenda?
O que se passa fora de cena?
Não é qualquer ausência
Teclas precisam descansar.
Enquanto ideias se inflamam e gritam
Tentando entender o sentido dos planos
Até a calmaria da dor da perda
Ou seria da vida que alterou a presença?
É yoga, é ayurveda...
Redesenhando as lembranças do (s) que amamos
Enquanto renova o que continuamos.

domingo, 26 de novembro de 2017

.....................

Atrás, águas marinhas
À frente, vizinhos e vizinhas do tempo bom
E lá, um pouco mais ao fundo
O mundo
Acima do mar
Acima de tudo.



sábado, 18 de novembro de 2017

Framboesas

Vamos fugir sem ser fuga e nos debruçar em camas de framboesas  maduras
Ou seriam amoras que não flutuam?
Música como intervenção é história
Poesia como melhor inserção é cenário
Da vida
Da memória
No barril de carvalho com bebida adormecida
Roteiros sem recursos de meditação
Cinema como luz que acende a cena
Claquete de interseção
Não é da vida
É da cena com medicação
Jantar com velas na mesa
Falta arroz
Falta feijão
Sem queimar a toalha de baronesa
Falta prosa
Enquanto almoça na ‘fôrma’
Da janela
O que não se espelha
O pão
Centeio ou centeia
E o que seriam as amoras?
Framboesas pisadas no chão.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

LIVRO DEPOIS DO RIO

O Livro "Depois do Rio" (2017),  
de Clécia Oliveira, foi lançado na versão digital durante exposição homônima de fotografias relacionadas a alguns poemas do livro.
A obra reflete experiências, sensações e reflexões sobre 10 anos de vivência no Rio de Janeiro, no período de 2005 a 2015. 
Os temas são diversos, passando por relações humanas, sociais, cultura e arte, trabalhos, estudos, devaneios, contemplações, saudades... 

*A poeta é mineira, natural de Uberlândia e, desde 2005, vive no Rio de Janeiro.

A versão impressa tem lançamento previsto para 2018.





____________

Não quero ser estrela
Nem aqui nem no céu
Só quero morrer em paz
Mesmo que meu tempo ainda demore
E meu futuro se torne obra.

domingo, 23 de abril de 2017

Entre Amigos

Está na hora de começarmos
a combinar coisas 
para termos o que esperar 
para o amanhã.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Página nova no Blog: Fio Cultural Produções





Intenções: Não dissociar 'Cultura, Educação e Comunicação', compartilhar o amor pelas artes e culturas; respeitar as tradições e diversidades culturais; dar abertura às variadas manifestações artísticas e suas variações e formatos; considerar as novas tecnologias como ferramentas agregadoras e não impositoras; diversificar as formas de ensino e comunicação com a sociedade, de forma reflexiva e em consonância com questões do nosso tempo.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entre os outros

Alguns são herdeiros
Enquanto outros
São arteiros.

Muitos compram partes da vida
Enquanto outros
A tornam merecida.

Poucos são outros quando serviços são necessários
Alguns evitam desgosto
Enquanto outros são outros
Que procuram indesejá-los.

O que é de muitos é de poucos
Artear se faz necessário
Para merecer sorrisos
Para não contar com os outros de convívio
Não servir só pra serviços
E ser alguém pra quem gostar.


Moral dos bons costumes


O caminho dos espertos é esquina
Dos vivos é passarela
Dos que morrem sem princípio
É a vida que se leva.

#life


O que se vê na noite de lua cheia...


Da janela vejo a beleza que se eleva
De tantas janelas não vejo
O que poderiam ver além dela.



segunda-feira, 3 de abril de 2017

‘Projetos, Cultura e o Sujeito no Meio Desta Vida Dura’

O "nosso" ano começou bem depois do Carnaval, mas antes da Páscoa, rs.
2017 é um ano de muitos projetos, parcerias, conexões, trocas e muuuita Poesia, Arte e Cultura em geral; tudo isso sem dissociar ‘Comunicação, Cultura e Educação’. Este é o caminho para uma vida melhor, mais digna, justa e colorida. A Rede está só se fortalecendo e esta é a melhor forma de atuarmos juntos, com profissionalismo e amizade para driblarmos as tantas adversidades que nos assolam e também assolam os outros que estão nesta mesma sociedade e os que dividem este mundo conosco.  


Vamos relembrar o que não desatualiza:

‘Projetos, Cultura e o Sujeito no Meio Desta Vida Dura’


Dias efervescentes pensando em cultura... Mais uma vez, a intensidade de agora é devido à construção de novos projetos, que não deixam de ser de vida, profissão, lazer e afeto.
O momento do planejamento é uma fase muito rica, na qual cabem análises sobre o que já fizemos, como eram e como são/estão os contextos, as interferências internas e externas, a relevância e a contribuição para o meio em que vivemos e até quem somos em relação aos resultados esperados.
Depois de anos mudando de ambientes, em busca de aprendizado, oportunidades e reflexões abrangentes, cada passo não deixa de se relacionar ao vasto campo da cultura em seus diversos aspectos. As ideias e os ideais não têm fim. Eles “sobrevivem” em torno das produções culturais amplamente divulgadas; das que se espalham em nichos por região; das políticas que sempre nos esbarram; da mídia que mostra alguns trabalhos e influencia novas manifestações; do que ainda permanece escondido ou visto somente pelos próximos; de como acontece nos setores públicos e privados, na economia, no marketing; e a criatividade em torno disso tudo... “Relações de poder” está entre as palavras-chaves.
Ufa! São só alguns dos pontos que inspiram, desanimam ou animam, confrontam valores e ações, mas tocam e fazem borbulhar ideias novas que parecem não caber em uma só cabeça. Mas, além do que podemos fazer individualmente com nossos planos, não tem como deixar de pensar em colaboração, formação de redes, estabelecimento de parcerias e em como definir novas formas de produção, contribuindo para formar novas culturas.
Balanços constantes têm relevância. Por isso, é enriquecedora a saudade de tempos atrás, quando o desejo principal era simplesmente fazer, ver acontecer e acessar ao máximo o que a cultura oferecesse. No entanto, como isso tudo era só uma parte do todo que envolve vivenciar e fazer cultura, aos poucos, gritaram outros fatores que se relacionam a ela.
Não é que, em outros momentos, havia pouca reflexão ou ignorância em relação às entrelinhas dos caminhos que se cruzam na cultura do nosso país, mas, quanto mais vivência, mais oportunidades temos de comprovar hipóteses negativas e de sentir, ao longo dos anos, o cansaço e o peso da labuta por nos mantermos nessa vida, enfrentando os obstáculos para fazer acontecer. O lado bom é que, entre médios e baixos, a gente se diverte e, seja como for, realiza. E há, ainda, os momentos de pausas, reinício de processos, reinvenção, espera pelos altos e contínuo aprendizado. Sempre há tempo de fazer melhor.
O ciclo se repete e se compara à obsessão de rodar e rodar, mudar de área, fazer mais cursos para ampliar a formação, mudar de cidade, de objetos de empolgação; e ver que permanece com o mesmo fio condutor, que faz conexões, se curva, dá voltas, transforma-se em infinito e faz continuarem os mesmos objetivos. Enquanto houver vida, haverá amor pelas artes, pelo conhecimento, pela cultura de forma geral. Estar de qualquer maneira envolvido nisso é o principal objetivo. Contudo, a grande certeza é que as coisas acontecem quando investimos. 

Que não se cansem os projetos!


domingo, 4 de dezembro de 2016

MAIS UM DIA CINZA


Mais um dia cinza
Uma vida que finda
Mas não as palavras
Do poeta que ensina.

Não haverá mais encontros casuais na feira
No início de Copa
Só o concreto na mesa
Livros, lembranças...
Vida em pauta.
É a arte
Do poeta discurseiro
Que fará falta
Mas não se interrompem os planos
Gullar vai e volta
Nos nossos sonhos e cotidianos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

É preciso estudar mais
Pra sermos mais
Intelectuais
Animais
Comunicacionais
Preconceituais
Elitizais
Animais!
Sabiais
Além dos percentuais
Gestuais
Perspicais
Observais
Desiguais
Cais!
Longitudinais

Animais
Virtuais
Que estudam mais
Pra serem digitais.

Prosa...

Prosa mineira
Prosa carioca
Prosa corriqueira
Prosa...
Gente que proseia

Gente mineira
Gente carioca
Gente corriqueira
Que prosa...

O indizível que somos sensoriais

O indizível é mais do que possa ser sensorial
É corpo, alma, aura, ideais
Está nos olhos, pele, respiração
É meditação
No que vem de leve como vento que não aborrece
Refresca os anseios de decepção da vida de sempre.
Olfatos conectados, pensamentos reluzentes
Ouve 'o quem' chegou
O que de maravilhas
Como ilhas que nos começaram
Fizeram-nos abruptamente seres decepcionantes
A serem amados.
Muitas vezes agradam
Agradamos
Desconectados com os outros pensamentos que não sentem
Somos como os que viajam sensações remanescentes
Divagam e evoluem como semente próspera
Que brota, enraíza e chega aos céus para chover incandescente
De tempos em tempos perseguindo o inalcançável
Alcança o que emociona
Nos planos que mentalizamos
Momentos de insônia
No que desejamos ser magos
Até que chega o som dos medos que nos calam
Enquanto nos tornamos paladares indegustáveis
Enfatizamos males e nos compomos com armaduras.
Em muitos lares e ofícios obrigatórios
Sabemos ser maleáveis e contraditórios
Nos assombros, nos segredos descartáveis
Nas obrigações que nos imploram hora de chegada
Vendemos sonhos sempre de partida
Para cumprir hora marcada.
Somos quietos e cautelosos
Sobre como sermos mártires
Desatentos e espertos com o tempo
Ancestrais nos motivos que nos dizem a hora de agir
Dizemos tanto sem nunca ter dito
De graça para os que nos produzem
Emoções, ilusões, sentidos
Os mesmos que nos seduzem
Nos promovem transformações
Quase uma imposição aos que nos consomem por não serem imunes.
O fim é inexorável aos que não tentam opção
Seguem o fluxo do que se tem sob os olhos
É bastante e insuficiente ao mesmo tempo...
E cumprem com todas as decepções de quem incendeia
São certeiras mesmo sem dedicação
Repetem-se, brisam nas ideias que tentam brindar
Sentir de verdade o que nos rodeia
Tomada de decisão
Motivo para continuar.
Vamos passar por todos os ciclos até que possam se encontrar
O fim e o princípio
Voltaremos a perceber o que é ser pó misturado às raízes
Estar no chão da terra antes de crescer leve
Só vai saber se tiver vivido a criança
Superado a infância
Sem deixar marcas nos lados que doem.
Esperança é remédio e constrói
Haverá chance de tornar-se passado relembrável
Mesmo quando nada pouco diz
Os rastros serão legados
Ensinamentos aos próximos que fazem parte de algo
Comum num mundo de vivos e mortos
Força motriz
Durante anos quando se ama e compartilha energias
Respira vários ares
Procria, recria e cria
Absorve paixões reais e imaginárias
Sonha com os sonhos e com naves de outras galáxias
Sente com as ilusões que se tornam realidade
Nas lentes, nas camas, nos mares
Ou nos cheiros dos que valem a pena
É muito universo para poucos lares.
A diferença se faz em segundos ou momentos
Para algumas vidas que ainda não sabemos
Ao contracenar com contratempos que passam
Deixar entrar poeiras ou perfumes que nos tentam ser
Ser (es) humano (s)
Homem ou mulher de enganos e planos
É tão sereno quanto pode ser pleno
Às vezes obsceno e divertido
É mundo
Ao mesmo tempo
Introverte descontraído
Levado pela práxis aberta às novas realidades
Ou antipatias de sons desagradáveis
Quando a vida grita o que não queremos sentir
Até que vêm sentimentos superados com a voz e com o tato
Pensamentos vistos como guias do vento
Que corre rápido
Concluidor de planejamentos.
Em anos atemporais
Sentiu ‘o que houve’ sentimentos que o construiu
Deixou sua parte em algum amor por onde o cercaram
Em coisas que se energizaram sem nada discutir
Fluiu
Souberam sentir
O quanto somos gratos
Por sermos construtores de destinos
Inspiradores sensitivos que decidem
E resguardam o indizível
Dos fortes e dos fracos
Somos bons meninos
E meninas por acaso
Quase todos incomparáveis
Concretos ou abstratos
E cheios de si.

domingo, 2 de outubro de 2016

O ciclo da vida

Mundo: Natureza, Homem, Vida.
Ainda acredito no mundo
Que possa ainda "mundar"
Se a mudança será boa ou não
O tempo dirá
Mas não está livre de nossas interferências.
Se nada consegue ser tão bom por tempo indeterminado
O ruim também não será
O mundo gira de verdade no universo e por dentro
Giramos com ele e interferimos nos acontecimentos
Incessantes ciclos
Que também mudam com o tempo
Muitas energias para trocar no infinito
Coisas vão, voltam, são criadas e desertadas
Diante de nossos olhos

Também sob nossas ações
Mesmo com intenções às escondidas
O mundo continua e gira
O ciclo da vida.

Campanha

Hoje é dia de campanha
De quem vai e vem na manha
Construindo novas causas, trabalhando por quem não vê
Daí saem muitas prosas, muitos contos e letras sem saber
Das fadas que plantaram sem nascer
Não se sabe...
Se cumprirão os escritos, se chegarão avisos quando não o der
Ou não o fizer – o que prometeu
O mundo anda aflito, querendo mudanças
Também nas esperanças temidas
De que sejam ilusões ou criações de quem quer vida.
O que se tem certeza é dos conflitos
E dos desejos para presentes e futuras gerações
Que sejamos menos ladrões e possamos compartilhar o que a terra nos dá
E desta devemos cuidar como se fosse nós mesmos
Seja do natural ou do monumental que sustenta nossos pés
Sejamos fiéis às nossas relações
Pois vamos nos encontrar sempre em breve
Nas voltas que nos damos sem mãos
Ou nos abraços seguindo os mesmos chãos.
O que vai, volta
Pode ou não na contramão
Há quem releve quando não serve
Há quem transforme em missão
De qualquer forma vem em ciclo
Devolve
Mudanças de outros horizontes vistos
Nos chegam como se tivéssemos ido
Nesse universo que é o mesmo encontrar
O que estamos
Em nosso igual tempo
Tempo de retas, curvas e relevos
Pensamentos minguados se desconsiderados pelos que não me vejo
Sejam juntos ou separados
Não é ilusão ou só manha e prosa
A terra é nossa!
A bondade e a maldade também
Somos natureza, universo e tempo
Somos abstratos
Livres ou presos se comparados
Holisticamente interligados
No que nos faz ou não bem
Recebemos em mútuos lados
Mas nunca, nunca, como ninguém.



sábado, 24 de setembro de 2016

Orquídeas e a Vida



Nos jardins da vida estamos
Na presença de cheiros e toques
Pra fazê-la florescer
E embriagar-se de cores
Adicione orquídeas pra viver
De amores.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Hoje...

Hoje... sou infeliz
Do soluço às lágrimas que deságuam em face a tantas desconstruções
Rugem bochechas involuntariamente
Nariz inquieto acompanhando os úmidos olhos
Na mente: Fim dos portfólios!

Hoje... o futuro é ainda mais incerto
Os sorrisos estão contidos
E o mundo está mais longe
As descobertas não servem como remédio contra injustiças
Pelo contrário, nos revelam o que é a vida
E o nada
Mesmo para os bons homens.

Hoje... justiça se tem em casa
Nas lições que tentamos multiplicar
Nossos filhos terão caminhada longa
A estrada – não podemos consertar.

Hoje... a mesa permanece sem toalha
As velas aromatizadas foram apagadas
Está guardado o aparelho de jantar
Não há o que comemorar diante de tantos olhos fechados.

Hoje... somos incertezas, soluços e lágrimas
Os dias são de vaguear pelas sombras das cidades sem lar
A esperança não tem cor nem ponto de chegada
Partiu.
Mas talvez ainda nos resta repensar como podem novas construções
Enquanto o acalento vem do amor de quem não nos deixa sós.

domingo, 7 de agosto de 2016

Tempos Bons

E chega o dia de admitirmos que gostaríamos tanto de ter vivido o bom tempo que não passava, o tempo que achávamos que não fazíamos nada e que tudo era tédio, que éramos inúteis na sociedade, mas decidíamos quando tomar remédios e ainda tínhamos todo tempo do mundo. Como se o mundo tivesse tempo. Não queremos mais ser ídolos e nem promover grandes revoluções. Queremos ser ouvidos por nossos filhos e fugir de rebeliões. Nossos motivos... são os que nossos pais nos diziam: contas pagas desde o início, educação para os filhos, casa para morar e não ser velho doente para alguém cuidar.
Não queremos decepcionar nenhum freguês, nem resistimos mais à importância do inglês. Nunca fomos verdadeiros burgueses, os negamos, no entanto, queríamos um pouco deles. Fomos camponeses e nem fizemos a (s) grande (s) viagem (ns). Fomos para Contagem, Patrocínio e interior de outras cidades. Hoje, só queremos paz, saúde em dia, amizades, cartão que compra alegria – consciente – e que deixa de lado as mágoas da saudade. Ainda somos boa vontade, queremos mais verdades e fazer parte do que é estar vivo, valorizar nossas vidas e às dos amigos, sejam elas e eles do jeito que foram e são. Quando decidimos nosso destino, mal sabíamos que nunca somos como os que sempre decidem. Nossa decisão é definir quem somos sãos. Queríamos tanto, não conseguimos tanto quanto os sonhos declararam. Fomos apenas seres humanos que sonharam, vitoriosos por termos ao menos vivido e feito planos. E, se pararmos para pensar, muitos realizamos... 
Em tempos bons.

Trechos do Poema 'Entre o filósofo, o poeta, o físico e o ermitão'

...
Micros os desejos não são
Exprimem sonhos ainda não conquistados
Vagueiam como reflexões que perduram
Em busca de razões ocultas
Que se refletem nas sombras côncavas
Quando dobram as esquinas
Enquanto ágoras são erguidas
Dilatam-se vidas
Que unem literatura e física
Em linhas homéricas dionisíacas
Entre os que escolhem e não se identificam
Vivem pelas florestas de modo alternativo
Longe dos outros que decidem os motivos
Como metáfora que não se explica
O mundo em suas diferentes formas de vida.
...

(do livro "Depois do Rio" - lançamento 2016)

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Aos idosos de Copacabana


Quem disse que velhice é coisa de velho?
De gente que só vive de remédio...

Velhice é remediar
Saber mostrar o que é viver
É exortar
Saber aproveitar as experiências que viveu
Viver outras
E compartilhar 
Com o vivo que ainda não morreu.